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Uma jovem desestruturada

Submitted by on Sunday, 26 January 2014No Comment

download (1)Sempre na linha de projectos modernos e fracturantes, a JSD. Há heterossexuais, homossexuais, bissexuais, transgéneros. Assim foi e será. Mas também há, com ou sem disciplina de voto, sem consciência ou com ela, os parvalhões. A Jotinha não discrimina: integra-os e chegam a líderes

HISTÓRIA: a Juventude Social Democrata (n. Junho 1974, m. Janeiro 2014… vendo bem, com 40 anos não era assim tão nova) foi uma personagem de sangue rebelde que nasceu da barriga social-democrata com raízes marxistas do primeiro PPD-PSD (a ciência histórica é improdutiva, não faz dinheiro, mas pelo menos dá para rir) e acabou como uma organização conservadora, centro de anedotas e desprezo geral.

Foi com sentido de Estado que a jovem conseguiu, em acções de alta política rasteira, cumprir o maior objectivo de Portugal em 40 anos de democracia: o consenso alargado. Mais importante ainda — num cenário de crise económica e social —, o consenso na diversidade:

Se para uns a JSD faz “golpadas”, para outros a maneira como se comporta “é nojenta”; se para terceiros “dá tiros nos pés”, para quartos é o “cúmulo da desonestidade”; se para quintos pratica “bullying político”, para sextos não passa de “uma vergonha”; e os sétimos concordam que desceu a “um nível inimaginável”, etc.

É o que se chama em política uma “orquestra bem afinada” de defeitos.

Nem Sá Carneiro, com a sua máxima “um Governo, uma maioria, um Presidente”, sonhou com tal unanimidade. O (des)acordo vai da esquerda à direita. Do PSD seu pai, ao CDS (namorado do pai, que por uma vez ficou calado e se absteve). Do PS ao PCP, do Bloco de Esquerda aos Verdes, só para falar dos partidos.

FAMÍLIA: a JSD é uma família desestruturada que devia ser vigiada pelos Serviços Sociais. Mas mesmo acompanhada é difícil evitar situações de risco. Porque a Jotinha teve vários pais (um deles, Passos Coelho, saiu para comprar cigarros e só voltou dez anos depois, cheio de promessas falsas) e várias mães. E todos os anos tem de tomar conta de milhares de novos filhos a quem deve dar emprego no futuro. É duro, o pão do poder está contado e nem todos são felizes no lar.

Vivem lá filhos, enteados, adoptados e co-adoptados. Há filhos legítimos, outros “naturais”, como alguns dizem. E há bastardos ideológicos neoliberais, como Hugo Soares, o actual presidente, com 80 anos feitos na semana passada.

A prenda de aniversário de Marques Mendes, jovem ex-líder do PSD, foi um emocionado telegrama na TV: “Lastimável golpada política STOP. Isto é gente que não pensa bem STOP. Parece comportamento grupelho partidário extrema-direita ou extrema-esquerda STOP. Se Presidente da República convocar referendo, suicida-se STOP. LOL!”

A JSD baralhou-se com o seu próprio modelo de família e exigiu um referendo popular. Quis consultar os portugueses sobre adopção e co-adopção em casais do mesmo sexo — e logo as duas questões ao mesmo tempo — misturando assuntos diferentes. Confundiu a adopção de uma criança por um casal homossexual com uma criança que já vive legalmente com dois pais ou duas mães há anos. E que, morrendo um deles, não poderá ficar com o outro. A JSD juntou um casal de perguntas que não pode dar certo, um aborto referendário com chumbo previsto em Belém.

Hugo Soares (83 anos na última quarta-feira) avançou de surpresa quando a co-adopção já estava aprovada na generalidade há meses e com o voto a favor de 13 deputados do PSD. Para isso, impôs-se a disciplina de voto, obrigando a votar em carneirada — ou anti-sá-carneirada —, menos Teresa Leal Coelho, que saiu da sala e se demitiu de vice-presidente contra Hugo Soares (ontem fez 87 anos).

Por falar nisso, aqui está a carta aberta, no PÚBLICO, de Carlos Reis dos Santos, ex-vice-presidente e militante honorário: “Na JSD em que eu militei sempre fomos generosos: queríamos mais direitos para todos. Propusemos, entre tantas coisas, a legalização do nudismo em Portugal, o fim do SMO [serviço militar obrigatório], a despenalização do consumo das drogas leves, a emancipação dos jovens menores e o seu direito ao associativismo. Nunca nos passaria pela cabeça querer limitar direitos. Hoje vocês não se distinguem do CDS e alguns de vocês nem sequer se distinguem da Mocidade Portuguesa, ou melhor, distinguem-se, mas para pior. A juventude já vos não liga nenhuma. E eu também deixei de vos ligar.”

FUTURO: não se preocupe, Carlos Reis dos Santos. A JSD vai renascer em glória com o referendo à renovação de coimas da Postura n.º 69035 da Câmara Municipal de Lisboa — Policiamento de Logradouros Públicos e Zonas Florestais*:

1.º Mão na mão — 2$50
2.º Mão naquilo — 15$00
3.º Aquilo na mão — 30$00
4.º Aquilo naquilo — 50$00
5.º Aquilo atrás daquilo — 100$00
Parágrafo Único — com a língua naquilo — 150$00 (de multa, preso e fotografado).

Tirem a foto a Hugo Soares (parabéns pelos 90 anos!): ele veio com aquilo atrás daquilo e pôs a língua naquilo.

* ver Amor e Sexo no Tempo de Salazar, de Isabel Freire, ed. Esfera dos Livros

in Público, 26 janeiro 2014, por Rui Cardoso Martins

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