Famílias Arco-íris?

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Um desabafo, um lamento e um pedido

Submitted by on Thursday, 12 December 201320 Comments

1474014_10151729596432396_414470985_nUM DESABAFO Chamo-me Fabíola Cardoso, tenho 41 anos, sou professora em Santarém e mãe de duas crianças com 9 e 11 anos de idade. Estas duas crianças são fruto de uma relação lésbica e têm crescido na realidade de uma família que em tudo as cuida, que sempre soube provir a todas as suas necessidades mas que não é reconhecida pelo Estado Português. Estas duas crianças têm como figuras parentais duas mulheres, a quem chamam mãe, ainda que nos seus documentos apenas conste o meu nome. Foi-me diagnosticado, em Julho deste ano, um carcinoma invasivo da mama. Na sequência desse diagnóstico fiz uma mastectomia no Hospital Distrital de Santarém e encontro-me neste momento a fazer quimioterapia, da qual já resultou a necessidade de um segundo internamento hospitalar.

UM LAMENTO Foi a situação da minha doença que alterou profundamente a minha visão da situação dos meus filhos e me leva a escrever-vos hoje esta missiva. Fomos até agora, as duas, capazes de zelar sempre pela segurança e o bem estar dos nossos filhos, mas esta situação de doença veio abalar significativamente a aparente estabilidade e firmeza. Que aconteceria aos meus filhos se eu tivesse morrido na mesa de operações? Conseguiria a sua outra mãe a tutela? Seria correto, face a essa situação, sujeitar as crianças a um processo legal deste tipo? Que enquadramento legislativo teria um juiz para decidir a favor das crianças e da manutenção da sua família real? Ou poderá alguém de bom senso e bom coração afirmar que será melhor para estas crianças serem entregues a um familiar ou até a alguma instituição??!! Estive uma semana internada, devido a uma complicação causada pela quimioterapia. Como pode a outra mãe destas crianças justificar perante a sua entidade patronal a necessidade de faltar para as apoiar se, legalmente, não lhes é nada?? Porque teremos nós, uma família que cumpre todos os seus deveres, de não poder beneficiar numa situação de infortúnio dos diretos que assistem às outras famílias?? Ficamos na dependência das simpatias, das disponibilidades de cada um. Lamento profundamente que, devido à situação legal existente no nosso país, eu tenha muitos mais motivos de preocupação do que aqueles que deveria ter neste momento e que as minhas crianças estejam numa posição de fragilidade que não deveriam estar.

E UM PEDIDO Venho pedir-vos a decência de aprovarem a Lei da Co-adoção, não porque a considero excelente, excelente seria simplesmente todas as crianças deste país terem uma família feliz onde crescer em segurança, mas porque nenhuma família deveria ter de passar pela situação que a nossa está a passar. Gostaria que, independentemente da cor do símbolo político que usam na lapela, pensassem honestamente nesta situação e se tentassem colocar, não no meu lugar, nem no da outra mãe, mas sim no lugar dos meus filhos. São eles os principais desprotegidos neste cenário e são-nos porque o Estado Português se sente na legitimidade de ilegitimar a sua família. Desejo o dia em que ninguém tenha de passar pelo acréscimo de sofrimento e insegurança em que a situação atual nos coloca. Nesse dia Portugal será um pais mais justo e mais democrático.

Está nas vossas mãos.

Obrigada, Fabíola Cardoso

(carta enviada às/aos deputad@s, dezembro 2013)

20 ideias »

  • Luis Amorim acha:

    Obrigado pela partilha desta carta corajosa e tão simplesmente justa. Muitas felicidades.

  • Cláudia acha:

    Muita força fé e foco!!! Infelizmente o Portugal ainda tem umas leis retrogradas pondo assim em causa a estabilidade das crianças!!! Foco porque não será preciso nada disso!!! Um beijinho grande para toda a família!!

  • António Laúndes acha:

    Lamentavelmente, digo mesmo tragicamente, neste país (como actualmente na Assembleia da República) domina uma “maioria” que hipocritamente se afirmam que são cristãos (“somos todos irmãos”)mas que na realidade agem como insensíveis assassinos , digo, ASSASSINOS, que atentam contra a vida e saúde de crianças; incluindo limitando que essas crianças cresçam aconchegadas com afecto (seja quem for que a elas dedique a desejável afecto9, seja uma família mais próxima de uma mãe, seja de um pai, seja uma conjugalidade de um pai e uma mãe, de duas mães, de dois pais … …

  • Célia Loureiro acha:

    Esta família merece os mesmos direitos de todas as outras famílias. É injusto que os não tenha. É uma hipocrisia continuar a dizer que somos todos iguais, se esta família e todas as outras não tiverem, de facto, direitos iguais!

  • adalberto pinheiro acha:

    FORÇA PARA A VOSSA FAMIKIA …BEIJOS

  • Conceição Moita acha:

    Fabíola Cardoso:

    Tem conhecimento da recente adopção de uma menina da Guiné, aceite e legalizada, feita por um casal de dois homens homossexuais portugueses e casados cá em Portugal ?!
    Se a Fabíola casasse com a sua companheira, não seria um caso idêntico que vos permitiria adoptar, legalmente , as vossas duas crianças ?!
    Tente informar-se – qualquer advogado poderá esclarecê-las a este respeito.
    Não perca a esperança ! Não desista !
    Toda a sorte do mundo para “a sua família”, e votos de um cura bem rápida para o seu problema de saúde.

  • Ernesto Jana acha:

    Só vos desejo que continuem a manter a força que sempre mostraram ter durante os anos que vos conheço. Tudo de bom. Beijos

  • Sara Quintanilha acha:

    Há alguma Petição para aprovação da Lei da Co-adoção, online, que se possa subscrever?
    Em caso afirmativo podem enviar-me o link para o meu email?

    Obrigada

  • Famílias Arco-íris (author) acha:
  • Co-adopção já e para todxs | Pronto: Agora tenho um Blogue! acha:

    […] LER AQUI. […]

  • Maria acha:

    UM ABRAÇO.

  • g.ferreira acha:

    Um abraço para esta família, em especial para a fabíola que conheci na universidade. Estou incondicionalmente solidária com a vossa causa.

  • leonor ramos acha:

    Fabiola, lamento o que te aconteceu….e desejo-te rapidas melhoras!
    Tudo de bom para a tua familia, vai correr tudo bem!
    Muita força! 🙂
    Beijinho grande

  • Carta aos deputados da AR pela aprovação da Lei da Coadoção | amplos bring out acha:

    […] A partir de ILGA-Arco-Íris […]

  • Carlos Oliveira acha:

    Amiga,
    Se eu puder ajudar em alguma coisa, conta comigo.
    Não hesites em dizer-me…
    Grande abraço para vocês!
    Chona

  • Patrícia Isabel C. acha:

    Eu fui aluna desta grande Senhora, e lamento profundamente que ela além de sofrer com o seu problema actual de saúde (e estou a fazer figas que tudo se resolva), tenha que conviver com os disparates de pessoas de mente fechada. Elas não são em nada diferentes dos outros pais, apenas amam e pensam de forma diferente, porque não podem ter os mesmos direitos? Absurdo.

  • magda acha:

    é preciso muito força e coragem, mas vão conseguir. beijos

  • Diana acha:

    Olá,

    Obrigada por ter partilhado a sua história. É da sua coragem e honestidade que nascerá uma nova lei. Acredito que este Governo vai ponderar e perceber que o melhor para as crianças é serem amadas, é crescerem com afecto e carinho. Acredito que vão ser dados os direitos que pertencem a um cidadão que é o de prestar apoio à sua familia, independentemente de ser uma relação hetero ou homossexual.
    Gostava de partilhar consigo algo que alguém também partilhou comigo e provavelmente salvou-me. Eu tive um problema oncológico e decidi complementar a medicina com uma terapia complementar. Eu fiz e resultou a 100%. A terapia chama-se Par Biomagnético Médico.

    Desejo-lhe as maiores felicidades e muita saúde.

  • famílias arco-íris » opinião: Não sei o que é pior acha:

    […] muitos, conheço a Fabíola, sei quem são os dois filhos que tem com a companheira, tinha lido a carta que escrevera aos deputados. A Fabíola explicava isto que qualquer coração percebe: estando […]

  • Cynthia Correia acha:

    Obrigada Fabiola por expor seu problema, de certo que ajudará a todos que sofrem na mesma situação… Não estás só… Estamos juntos a lutar por uma conscientização rápida dos políticos… Desejo rápidas melhoras… Saudações…

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