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Como é ser filho de homossexuais?

Submitted by on Tuesday, 6 December 2011One Comment

Sarah, de 23 anos, educadora especializada, tem uma família fora da norma. Os seus pais são Brigitte, Michèle, Dominique e Jean-Pierre. “ Foram eles os quatro que fizeram de mim aquilo que hoje sou ”, diz ela. Brigitte, a sua mãe biológica vive com Michèle, a sua “segunda mamã”. Dominique, o seu pai biológico, vive com Jean-Pierre, que a adotou. Sarah tem três irmãs, Audrey, a sua irmã biológica e as duas filhas biológicas de Michèle. “ A família vai muito além dos laços de filiação. São sobretudo laços de amor e afeição”, afirma a jovem. Foi na escola primária que Sarah compreendeu que a sua família não entrava nos esquemas tradicionais. “Observavam-nos de longe, como se fosse preciso provar que as nossas vidas eram equilibradas e que nós éramos felizes”, confessa ela.

Como é ser filho de homossexuais? Como é que se vive com isso? A jornalista Taina Tervoren recolheu os testemunhos de trinta adultos que têm em comum o facto de pelo menos um dos pais ser homossexual. Zabou Carrière fotografou-os. O resultado foi um livro no tom certo, sem floreados ( Fils de… Edições Trans Photographic Press ).

Através dos testemunhos, desenha-se uma conceção de família unida por laços afetivos. Uma família de eleição, mais alargada que a família nuclear. Pierrot, de 19 anos, estudante, a concluir o secundário, em Montpellier – com duas mães e um pai – define-a como “uma coisa que se escolhe, uma coisa muito fluida”. Vanina, de 25 anos, estudante de marketing, fala de uma “família do coração”.

Dependendo de se ter nascido no seio de um casal homossexual ou de, concebido por um casal heterossexual, se ter descoberto tardiamente a homossexualidade de um dos pais, as problemáticas são diferentes. Marion, nascida de um casal heterossexual, só aos 36 anos soube da homossexualidade do seu pai. Quando por acaso lhe perguntou, numa noite de Natal, por que razão ela se sentia mal há tanto tempo, ele revelou-lhe, sem rodeios, que era homossexual. “Nessa noite o meu pai salvou-me a vida”, diz ela, “eu sabia-o provavelmente desde muito pequena mas houve tantos disfarcesdepois foi preciso de reinterpretar tudo tendo em conta essa informação”.

            Gérard, de 42 anos, percebeu que o seu pai era homossexual por volta dos 14-15 anos quando o viu “com um homem lá em casa”. “Ele nunca foi capaz de o dizer claramente. Também não era fácil para mim”, diz ele.

Para o psiquiatra e psicanalista Serge Hefez, “é mais o segredo do que a natureza do segredo que faz sofrer”. E quando os pais assumem , a vida torna-se mais simples. Os pais de Bastien, de 25 anos, divorciaram-se quando ele tinha 8 anos. O seu pai explicou-lhe que estava apaixonado por um homem. “Ele não tinha vergonha disso. E, de repente, eu e o meu irmão absorvemos também a notícia assim. Decidimos contar aos nossos amigos. Ninguém nos incomodou por isso.

Por vezes o “coming out” dos pais provoca sentimentos ambivalentes. Antoine, de 19 anos, estudante do secundário, soube aos 9 anos da homossexualidade do pai. “De imediato, reagi bem, armei-me em miúdo tolerante. Mas lembro-me bem que à noite, na minha cama, disse para mim mesmo: “Merda, o meu pai é homossexual!” e isso mexeu comigo.” Recentemente o Antoine ouviu no programa Skyrok um rapaz de 13 anos que tinha acabado de saber que o pai era gay. Ligou e contou a sua história. “Disse que isso não mudava nada, que era apenas uma orientação sexual. É um bocado como dizer “ prefiro o azul ao vermelho”, recorda ele. Alguns amigos, a quem ele nunca tinha dito nada, ouviram-no e perguntaram-lhe se era verdade. “Disseram-me:” Oh, isso é normal”. Espantou-me porque pensava que eles se iam sentir incomodados. Estamos sempre a chamar “mariconsos” e” paneleiros” uns aos outros.”

            Em criança, assumir a homossexualidade dos pais nem sempre é fácil. A maior parte dos testemunhos referem insultos homofóbicos e discriminações. Para Geneviève Delasi de Parseval, autora de Família a qualquer preço (Famille à tou prix, Seuil, 2008), a primeira dificuldade é o recreio. “ O universo da escola é violento e o papel dos pais é desdramatizar”, explica a psicanalista. Há quarenta anos os filhos de divorciados eram estigmatizados, depois os filhos de casais interraciais, e agora são os filhos dos gays e das lésbicas.

Em pequenina, Céline nunca se questionou sobre o casal que a mãe formava com a sua companheira. “ Via a mamã feliz, era isso que interessava.” As questões chegaram com o olhar dos outros. “Durante muito tempo não percebi por que razão tratavam a minha mãe por “fofa” no recreio. ” Alguns pais recusaram que ela convidasse uma amiga para dormir em sua casa.

François, de 25 anos, lembra-se que no 9º ano encontrou insultos escritos na porta de casa – “ Porcas. Grandes cadelas.” – endereçados às suas mães. Jimmy, de 30 anos, lembra-se que quando era criança vivia numa cidade e que “ não se podia dizer que a mãe era lésbica”.

Jeanne, de 27 anos, e o irmão Simon foram concebidos por inseminação artificial de um doador na Holanda. “ Na primária, inventei um papá. Chamava-se Michel e quando me perguntavam por que não vivia comigo eu explicava que ele se tinha ido embora quando a minha mãe estava grávida. Penso que era sobretudo para ser igual a toda a gente e para cortar com todas as perguntas”, diz ela.

            Segundo Geneviève Delasi de Parseval, “ para a criança, é importante ter palavras para nomear aquela pessoa que lhe transmitiu o património genético, esse doador da hereditariedade”.

A primeira vez que Jeanne sentiu necessidade de ser clara acerca das suas origens foi quando teve a sua primeira relação amorosa séria, aos 19 anos. “ A única questão do meu namorado na altura era sobre o meu dador: se eu tinha vontade de o conhecer? Não…nunca me interroguei sobre ele. Não me lembro de ter falado do assunto com as minhas mães, nem de ter tido vontade de falar. Talvez tivesse medo de as magoar? ”, escreve ela.

Chegados a adultos, a maior parte deles diz ter orgulho em ter pais homossexuais. “ Aprende-se a importância do amor e da confiança. Implica uma força que se transmite às crianças. Eles partem para a vida com uma vantagem, com boas hipóteses de serem felizes”, conclui Brune. Longe dos clichés.

por Martine Laronche – traduzido e adaptado de Le Monde, 26 Novembro 2011

uma ideia »

  • matos antonio acha:

    ola eu acho que para uma familia ser feliz nao tem que ser uma familia dita normal e eu e o meu companheiro somos a prova disso Nos temos 6 filhos de casamentos ditos normais hoje somos divorciados e vivemos juntos a 8 anos com os Filhotes e somos uma familia feliz e normal

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