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Revista Sábado: Sou o Bruno e vou falar de pais gays

Submitted by on Tuesday, 14 July 2015No Comment

bmaginaFala baixo, tem dificuldade em manter o contacto visual, por vezes cora sem motivo aparente. Mas a timidez passa-lhe logo quando o assunto é a Vila das Cores – como quem diz, adopção entre casais do mesmo sexo contada às crianças. “Quando leio o meu livro em público sinto-me realizado”, diz o autor Bruno Magina à SÁBADO. Nos últimos seis meses, tem andado em digressão a promover o seu primeiro conto, publicado no final do ano passado: já fez 23 apresentações (entre associações LGBT, livrarias, feira do livro, escolas básicas, escolas superiores de educação e bibliotecas municipais), percorreu mais de 2300 quilómetros e falou com cerca de 500 crianças.

Se há homofobia, não se nota na promoção deste livro. Até Novembro, o autor de 30 anos tem mais sete datas agendadas e garante que as reacções têm sido positivas. É o próprio que avança, por escrito, a proposta de divulgação a custo zero nas escolas e bibliotecas. As respostas são, na esmagadora maioria, positivas. “Normalmente, os alunos já sabem com antecedência que vou”, explica Magina. Por isso, estão preparados para comprar o livro (10 euros cada); já nas bibliotecas assistem com os pais e são estes que os adquirem.
Durante as sessões, os miúdos costumam relativizar o desenho dos protagonistas, num traço próximo da caricatura, feito pela ilustradora Carolina Figueira. Magina questiona-os: o que encontram ali fora da normalidade? Uns respondem que é o aparelho dos dentes ou os óculos do filho adoptivo Bernardo, outros apontam para a cor da pele da filha adoptiva Gabriela, mas poucos acertam à primeira: os pais, António e Manuel.

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Sou o Bruno e vou falar de pais gays
12 Julho 2015 • Raquel Lito

Sala baixo, tem dificuldade em manter o contacto visual, por vezes cora sem motivo aparente. Mas a timidez passa-lhe logo quando o assunto é a Vila das Cores – como quem diz, adopção entre casais do mesmo sexo contada às crianças. “Quando leio o meu livro em público sinto-me realizado”, diz o autor Bruno Magina à SÁBADO. Nos últimos seis meses, tem andado em digressão a promover o seu primeiro conto, publicado no final do ano passado: já fez 23 apresentações (entre associações LGBT, livrarias, feira do livro, escolas básicas, escolas superiores de educação e bibliotecas municipais), percorreu mais de 2300 quilómetros e falou com cerca de 500 crianças.

Se há homofobia, não se nota na promoção deste livro. Até Novembro, o autor de 30 anos tem mais sete datas agendadas e garante que as reacções têm sido positivas. É o próprio que avança, por escrito, a proposta de divulgação a custo zero nas escolas e bibliotecas. As respostas são, na esmagadora maioria, positivas. “Normalmente, os alunos já sabem com antecedência que vou”, explica Magina. Por isso, estão preparados para comprar o livro (10 euros cada); já nas bibliotecas assistem com os pais e são estes que os adquirem.
Durante as sessões, os miúdos costumam relativizar o desenho dos protagonistas, num traço próximo da caricatura, feito pela ilustradora Carolina Figueira. Magina questiona-os: o que encontram ali fora da normalidade? Uns respondem que é o aparelho dos dentes ou os óculos do filho adoptivo Bernardo, outros apontam para a cor da pele da filha adoptiva Gabriela, mas poucos acertam à primeira: os pais, António e Manuel.

O pano de fundo do conto são as cores do arco-íris, em referência à bandeira LGBT, e a família de co-adopção é violeta. No bairro, a chegada das crianças é aguardada com expectativa por seis famílias (cada uma com uma cor). A vermelha, mais católica e estereótipada na personagem Pureza (a matriarca de crucifixo), não os acolhe bem.

“Tal como na vida real, também neste livro quero que a orientação seja encarada como um ‘pormenor’ da personalidade. Por outro lado, se brinco com as cores para chegar a temas sérios, porque não fazê-lo com os nomes das personagens? Não se trata de propaganda LGBT – nem poderia ser! –, é a minha visão enquanto autor e enquanto pessoa.”

Cautela na mensagem
De facto, muitas crianças nem se apercebem da família arco-íris (como é designada no meio LGBT) e de que há um tema fracturante em análise – a co-adopção, chumbada quatro vezes no Parlamento, a última delas em Janeiro.

Uma das principais opositoras no plenário foi Teresa Anjinho, deputada do CDS, por considerar que a prioridade são as crianças institucionalizadas e que a sociedade ainda não está preparada para esta medida. Mas quando contactada pela SÁBADO para opiniar sobre a iniciativa deste autor, a jurista foi moderada. “Tendo assistido pela comunicação social à apresentação do livro e percebendo a sua principal intenção, ou seja, ajudar as camadas mais novas a perceber e a apreender os valores da tolerância e da igualdade, há que saudar a iniciativa.” Com uma ressalva: “É preciso cautela na forma como este tipo de mensagem é apresentado às crianças, por isso compreendo a resistência de alguns pais.”

Numa escola básica na zona metropolitana de Lisboa, as reacções de 200 alunos, entre os 8 e 10 anos, foram positivas, de acordo com um professor contactado pela SÁBADO que preferiu não ser identificado. A palestra, sob o mote da discriminação, terminou com os miúdos a relatarem situações de bullying. “Houve uma mãe, profundamente católica, que demonstrou grande preocupação. Achou que a escola não devia abordar estas questões fraturantes.”

O professor activista
Assumiu-se aos 19 e aderiu à associação Ilga aos 27
Bruno Magina é professor do ensino básico de matemática e ciências. No final de 2012, participou no concurso da ILGA (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero) com o conto A Vila das Cores, que agora está a divulgar. Assumiu a orientação aos 19 anos e até à data nunca pensou em co-adopção.

Família arco-íris
Chegam à Vila das Cores vestidos de violeta (a última cor do arco-íris)

Família crucifixo
Acolhem mal o casal gay com dois filhos adoptados que chega à vila

50% dos livros
São vendidos em escolas e bibliotecas municipais; agora o autor prepara um questionário sobre homofobia

in revista Sábado, julho 2015

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