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Público: Estudo indica que casais gay são menos stressados a cuidar dos filhos

Submitted by on Tuesday, 16 July 2013No Comment

agto_publicoO estudo ainda não está concluído, mas os resultados preliminares indicam que as mães e os pais não heterossexuais apresentam níveis significativamente mais baixos de stress parental do que os seus congéneres heterossexuais e, além disso, têm mais apoio da família e amigos quando é necessária uma ajuda.

Jorge Gato, investigador do Centro de Psicologia da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (UP), comparou 20 famílias homoparentais com 20 famílias heteroparentais, mães e pais com uma média de idades de 39 anos e com dois fi lhos em cada agregado — grupos de famílias semelhantes entre si, exceto na orientação sexual. As dificuldades na educação dos fi lhos e o apoio da rede social foram duas das variáveis analisadas.

Os primeiros dados revelam que as famílias homoparentais são mais calmas na educação dos filhos. A ajuda de quem está próximo poderá ser uma explicação. “São resultados que convergem com os encontrados noutros países e muito interessantes, na medida em que mostram que as mães e os pais não-heterossexuais não revelam dificuldades na educação dos seus fi lhos e estão bem inseridos do ponto de vista social”, refere o investigador.

Este estudo dá continuidade à tese de doutoramento, a primeira sobre homoparentalidade em Portugal, defendida em Novembro do ano passado na UP. Gato inquiriu 1288 alunos, 85% do sexo feminino, de 12 universidades do país que, em 2010, frequentavam o penúltimo e último anos de cursos que abordam a promoção do bem-estar de crianças, jovens e suas famílias — Psicologia, Serviço Social, Educação Social, Sociologia, Medicina, Enfermagem, Ensino Básico, Educação de Infância e Direito.

“O receio de que uma criança adotada por um casal do mesmo sexo venha a apresentar um  desenvolvimento psicossexual ‘não-normativo’ foi visível na população inquirida, particularmente por parte dos estudantes do sexo masculino”, revela. “Verificámos também que, numa situação hipotética, os futuros intervenientes da rede social inquiridos atribuem, com maior probabilidade, a custódia de uma criança a uma família heteroparental do que a uma família homoparental”, adianta o autor da tese Homoparentalidades num Contexto Heteronormativo. Um posicionamento que, para o investigador, tem implicações sociais.

“A expectativa de discriminação deve constituir-se como um estímulo para a sua erradicação e não como um factor de dupla discriminação de potenciais mães lésbicas e pais gay. Isto é, a responsabilidade da discriminação é da sociedade, não devendo nunca ser imputada às famílias homoparentais”, refere.

Informação precisa-se

Gato constatou que havia uma maior preocupação com a aquisição de comportamentos tradicionalmente masculinos por parte de um rapaz educado por duas mães. O que, sustenta, “salienta a sobrevalorização e a maior preocupação com a construção da masculinidade dos meninos do que com a construção da feminilidade nas meninas”. Um rapaz que brinca com bonecas preocupa mais do que uma menina que joga futebol.

O investigador concluiu, por outro lado, que os alunos estavam pouco informados sobre estas matérias: 54% dos inquiridos não tiveram contacto com informações sobre homossexualidade e homoparentalidade e 38% tiveram-no no âmbito estrito de uma única unidade curricular. Para Jorge Gato, estes números devem ter uma leitura, no sentido de uma efetiva transmissão de informação cientificamente validada e de uma consciencialização acerca das atitudes relativamente a estas questões.

Em Portugal, os estudos científicos sobre o assunto são escassos. Para o seu trabalho de doutoramento, Gato reviu literatura internacional que lhe permite afirmar que há estudos científicos que defendem que uma boa família não é obrigatoriamente constituída por uma mãe e um pai. “As famílias homoparentais são mais flexíveis em termos do papel de género. Os rapazes não são tão rígidos na sua masculinidade e as raparigas não são tão rígidas na sua feminilidade. Há uma maior flexibilidade nos papéis de género”, afirma.

“Existem algumas diferenças. Mas por que não deveriam existir?”

Mais semelhanças do que diferenças

Psicólogos dão parecer positivo à lei da co-adopção em discussão na AR

A maior parte das investigações centradas na saúde psicológica e bem-estar de crianças com pais do mesmo sexo indicam que são mais as semelhanças do que as diferenças entre as famílias homoparentais e as heteroparentais.

“Embora a crença de que a orientação sexual das mães e dos pais influencia a identidade sexual dos filhos seja completamente infundada do ponto de vista científico, este receio parece ser um dos factores subjacentes à apreensão que a adoção por casais do mesmo sexo ainda suscita em Portugal”, comenta Jorge Gato.

O investigador está satisfeito com a lei da coadoção em discussão no Parlamento, que, no seu entender, funcionará como um fator de estabilidade.

“Contribui para a proteção das crianças que já são educadas por duas mães ou por dois pais. Este reconhecimento jurídico e social tem um efeito determinante no bem-estar das pessoas. Sentem-se famílias de direito, sentem-se mais protegidas.”

A 17 de Maio, a Assembleia da República aprovou, na generalidade, um diploma do PS que permite aos homossexuais coadotar os filhos da pessoa com quem estão casados ou com quem vivem em união de facto. No início de Junho, foi criado um grupo de trabalho para analisar, na especialidade, o projeto de lei.

A Ordem dos Psicólogos (OP) já se pronunciou e deu parecer positivo à coadoção, sublinhando que cientificamente é consensual que a orientação sexual não tem impacto no desenvolvimento da criança e na competência dos pais. A OP reviu estudos internacionais que lhe permitem afirmar, no Relatório de Evidência Científica Psicológica sobre Relações Familiares e Desenvolvimento Infantil nas Famílias

Homoparentais, que “não existe base científica para afirmar que os homossexuais femininos e masculinos não são capazes de criar e educar crianças saudáveis e bem-ajustadas”.

“Parece haver convergência […] sobre o facto de a configuração familiar […] não ser um aspeto  determinante para o desenvolvimento das crianças”, sustenta o parecer. “O fundamental é que o contexto familiar ofereça afeto e comunicação, seja sensível às necessidades da criança, viva de modo estável e impondo normas adequadas, no seio de relações harmoniosas.”

in Público, 16 julho 2013, por Sara Dias Oliveira

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