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Percepção de futuros profissionais de áreas psicossociais sobre o desenvolvimento psicológico de crianças educadas em famílias homoparentais

Submitted by on Friday, 28 January 2011One Comment

AUTOR@S
Jorge Carvalho Gato | Anne Marie Fontaine | Nuno Santos Carneiro

RESUMO
Não obstante a investigação não ter evidenciado diferenças significativas ao nível do desenvolvimento psicológico das crianças de famílias homossexuais vs. heterossexuais, subsistem percepções sobre os seus efeitos negativos para o desenvolvimento infantil. Este preconceito constitui um factor de stresse para as famílias homoparentais, ganhando contornos particularmente graves se for evidenciado por profissionais que atendem às  suas  necessidades. Neste estudo, é utilizada uma metodologia semi-experimental para caracterizar, de que forma um conjunto de futuros profissionais de áreas psicossociais, antecipa alguns aspectos do desenvolvimento psicológico de crianças adoptadas por pessoas homossexuais.

Estas crenças  são confrontadas com os resultados dos estudos científicos sobre a temática. São também delineadas algumas implicações em termos da formação académica dos futuros técnicos psicossociais

Não obstante a investigação não ter evidenciado diferenças significativas ao nível do desenvolvimento psicológico das crianças de famílias homossexuais vs. heterossexuais, subsistem percepções sobre os seus efeitos negativos para o desenvolvimento infantil. Este preconceito constitui um factor de stresse para as famílias homoparentais, ganhando contornos particularmente graves se for evidenciado por profissionais que atendem às  suas  necessidades. Neste estudo, é utilizada uma metodologia semi-experimental para caracterizar, de que forma um conjunto de futuros profissionais de áreas psicossociais, antecipa alguns aspectos do desenvolvimento psicológico de crianças adoptadas por pessoas homossexuais. Estas crenças  são confrontadas com os resultados dos estudos científicos sobre a temática. São também delineadas algumas implicações em termos da formação académica dos futuros técnicos psicossociais.

INTRODUÇÃO

Embora a discussão sobre a  homoparentalidade se faça, maioritariamente, em torno da  legalização da  adopção por casais do mesmo sexo, muitas pessoas homossexuais são pais ou exercem funções parentais noutros contextos. A diversidade de arranjos homoparentais inclui, entre outros, as pessoas que tiveram filhos biológicos na sequência de uma união heterossexual anterior, as pessoas homossexuais que adoptaram crianças num processo de adopção singular, as lésbicas que geraram uma criança através de inseminação artificial ou os gays que recorreram a uma barriga de aluguer. Embora a reflexão psicológica sobre estas famílias seja ainda rara em Portugal (e.g., Ferreira, 2004; Leal, 2004), desde os anos 70 que diversos autores se têm debruçado sobre esta temática noutros países. Estes trabalhos têm incidido, sobretudo, nas seguintes dimensões: práticas parentais, desenvolvimento psicológico das crianças (para revisões cf.  Anderssen,  Amlie, & Ytteroy, 2002; Fitzgerald, 1999; Golombok, 2000; Patterson,  2002; Vecho & Schneider, 2005) e atitudes perante a homoparentalidade. Os dois primeiros conjuntos de estudos tendem a concluir, respectivamente, que as competências parentais não diferem significativamente em Actas do VII Simpósio Nacional de Investigação em Psicologia Universidade do Minho, Portugal, 4 a 6 de Fevereiro de 2010, 1011
função da orientação sexual e que as crianças educadas por pessoas homossexuais não apresentam um desenvolvimento significativamente diferente dos filhos de pais heterossexuais. Já o terceiro tipo de estudos tem identificado diversos tipos de atitudes, por parte de diversas populações, desde as mais positivas até às mais desfavoráveis.
Perante estes resultados, tem-se assistido a um afastamento progressivo de um modelo estritamente deficitário, em que as crianças eram consideradas como estando potencialmente em risco, em favor de um modelo de carácter mais psicossocial, no qual são tidas em conta as interacções entre as famílias homoparentais e o contexto social em que se inserem. Assim, mais do que confirmar ou infirmar a existência de diferenças entre a homoparentalidade e a heteroparentalidade, as investigações devem dar atenção à estigmatização social e aos factores de stresse familiar por ela engendrados, bem como aos factores que favorecem uma gestão eficaz destas dificuldades (Vecho & Schneider, 2005).  Como salientou Alarcão (2000,  p. 230), “parece que o maior risco para estas famílias está na atitude segregadora da sociedade heterossexual.” Nesta medida, torna-se importante caracterizar as atitudes perante este
tipo de família.
(…)
CONCLUSÕES
Salienta-se, em primeiro lugar, o facto de não ter sido encontrada uma associação entre  a  orientação sexual  dos  adoptantes e  a percepção  de  eventuais problemas emocionais  nas crianças, o que poderá apontar para  uma  visão mais factual e menos enviesada  da homoparentalidade. No entanto, a crença numa maior probabilidade de
transmissão da orientação sexual no caso dos gays, indicia, por um lado, a subsistência de alguns preconceitos e, por outro lado, o desconhecimento das  investigações que se debruçaram sobre esta temática. Quanto à percepção da possibilidade de discriminação pelos pares, esta  não configura, necessariamente, a presença de  um preconceito,
podendo reflectir, simplesmente, a consciência dos índices de homofobia que ainda se verificam na sociedade portuguesa.  No entanto, responsabilizar aqueles que são, precisamente, o alvo de opressão, poderá conduzir  ao chamado  “blame the victim” (Ryan, 1971, in  Waller, 2001) e à  ocultação de qualquer responsabilidade  social  e
pessoal  na formação  e manutenção da discriminação. Nesta medida, criar uma sociedade mais justa e tolerante, com implicações para a segurança da  criança, é um desafio que se coloca aos próprios intervenientes da rede psicossocial.
Espera-se, assim, que os resultados deste trabalho possam constituir material de reflexão para os responsáveis pela formação nos cursos em questão, no sentindo de se proceder aos necessários ajustamentos, quer em termos da  informação científica que é veiculada sobre a homoparentalidade, quer  da consciencialização  dos  futuros
profissionais sobre a sua responsabilidade na eliminação do preconceito.
in Actas do VII Simpósio Nacional de Investigação em Psicologia, Universidade do Minho, Portugal, 4 a 6 de Fevereiro de 2010
ler versão integral deste documento aqui.

uma ideia »

  • keterly acha:

    bom,o que acho sobre bossexuais e gay naum sou contra e nem a favor sabe é tem gente ainda naum entedeu como que Deus fez o homens e mulheres juntos naum homem com homem e mulher com mulher entao naum teria graça se fosse assim o povo naum teria filhos para gerar eu acho q em primeiro lugar ter q pensar antes de fazer alguma coisa que naum agrada a deus sei muitos naum querem nem saber em deus mas na minha opiniao naum acho tao desfeito assim mas é tao feio homem virar mulher e vise versa mas fazer o que naum posso mudar a opiniao de ninguem se eu pudesse ia fazer vcs pensar totalmente diferente….. era issso q queria falar p/ vcs

    so naum fikem constrangidos comigo é a minha maneira de pensar

    bjxxx

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