Famílias Arco-íris?

quem são as famílias arco-íris? Testemunhos e realidades.

o saber não ocupa lugar

estudos sobre parentalidades, nova investigação científica, posições oficiais de ordens profissionais, etc

Recursos

Dicas, ideias e conselhos para mães & pais, para aspirantes a mães & pais, e para outr@s educador@s

notícias

Novidades sobre a vida de famílias arco-íris, em Portugal e no mundo.

agenda

Atividades e encontros, dentro e fora de Portugal

Home » notícias

Pais decidiram que filho é de “género neutral” para evitar estereótipos

Submitted by on Friday, 27 January 2012No Comment
Beck Laxton, uma editora web britânica de 46 anos e o seu companheiro, Kieran Cooper, 44, esconderam  durante 5 anos o género de um dos  seus filhos.    Ao  optarem por um nome neutro, Sasha, a situação foi facilitada.  A família e alguns amigos próximos eram os únicos que conheciam a sua identidade sexual. E durante muito tempo referiam-se a ele como “a criança” (infant no inglês – de difícil tradução), evitando qualquer tipo de pronomes de género, tais como “ele” ou “ela”. A mãe Beck justifica esta opção educativa por considerar que os estereótipos são estúpidos. “Porque se hão-de colocar as pessoas em gavetas?” – interroga-se. Acredita que o facto de se determinar o que a criança veste e os brinquedos com que brinca vai impedir um  saudável desenvolvimento da sua personalidade.
Exemplos desta indeterminação de género em Sasha são ilustrados em situações como o fato de o seu quarto ser amarelo e o ter sido encorajado a brincar com todo o tipo de brinquedos, inclusivamente bonecas. Em questões de vestuário usava o que quer que fosse que lhe servisse, incluindo roupa antiga da irmã ou irmão mais velhos. Dentro de casa costumava inclusivamente vestir um tutu de ballet e asas ou um bikini cor de rosa. O/a própria Sasha afirmou que a tradição do rosa ser para meninas e o azul para meninos é algo disparatado.  A mãe defende que todos estes comportamentos eram espontâneos e que  Sasha nunca foi forçado a nada – tinha a liberdade de fazer o que quer que lhe apetecesse, sem  estar condicionado pela dicotomia masculino/feminino.  Beck apenas decidiu identificar o género do seu filho quando ele entrou na escola primária.  Obviamente, a partir de agora ele teria de se habituar a ser um menino/rapaz perante os seus colegas. Mas mesmo aí ela lutou para defender a liberdade de género do seu filho. Enquanto meninos e meninas tinham de usar uniformes diferentes, Sasha veste uma blusa de menina e umas calças masculinas. A mãe diz ainda : “Se ele tem bons amigos e relações saudáveis nada mais deverá importar, certo?”
Esta história toca um tabu cultural e ancestral forte da nossa sociedade e  ainda não há respostas claras. A situação só se tornou um problema  a  partir do momento em que se tornou pública. Críticos e internautas ficaram de ânimos exaltados e rotularam os pais de Sasha de abusivos e doidos, chegando a sugerir que a criança deveria ser entregue aos serviços sociais. Alguns receiam que esta situação a possa vir a fazer-se sentir confusa na sua identidade sexual. Por sua vez, a família parece estar confiante com a decisão tomada e não se sente incomodada ou arrependida.
Paulo Côrte-Real, presidente do ILGA, acredita que o importante  é o fato de se ter dado  prioridade ao bem-estar da criança –   o que falha muitas vezes da parte de familias e educadores. Isso é algo que  acontece usualmente quando as crianças nascem com sexo indefinido, ou com ambos, e acabam por ser “corrigidas e abusadas fisicamente” para que o seu género  seja definido e categorizado,  sem qualquer opção daquela.
A maioria dos que se insurgiram  contra a história de Sasha tentavam, sobretudo, agredir a comunidade LGTB. Mas  não conseguiram determinar de forma clara a verdadeira diferença entre géneros. Uma  colunista do jornal diário  Daily Mail considerou  que quebrar as  normas de género  pode  levar a sociedade a “sofrer uma lavagem cerebral, agindo como se as diferenças entre masculino e feminino não existissem”. E tal seria  “reconstruir uma sociedade com uma  insustentável utopia de igualdade sexual e de género”, afirma.
Afinal o  nosso género é  definido pela educação e cultura, pela biologia sexual ou simplesmente por uma escolha pessoal?  As coisas não são assim tão simples, explica o presidente do Ilga. De fato, “não há imunidade ao género devido à experiência em sociedade”. Ele “é por definição uma construção social”.

Mas a questão não se esgota numa ou duas noções. Existe a “expressão de género” – que remete para uma maior liberdade pessoal, na escolha de se ser feminino ou masculino, independentemente do sexo.

No entanto, também aqui a cultura exerce o seu peso, como por exemplo na forma de vestir, na gestualidade, nos gostos, etc.

Na nossa sociedade as pessoas “são adequadas à categoria (masculino/feminino) e não a categoria à pessoa”, ainda segundo Paulo Côrte-Real.

E mesmo se a própria natureza produz uma grande variedade de géneros, eles não se adequam à  necessidade da dicotomia social masculino/feminino. Então a confusão de identidades de género está instalada. Daí Paulo Côrte-Real  afirmar também que “o próprio sexo é uma construção social”.
in Visão, 26 janeiro 2012

Partilha as tuas impressões!

Escreve o teu comentário. Podes fazer trackback do teu site ou subscrever atualizações dos comentários subscribe to these comments via RSS.

Partilha todas as boas ideias. E enterra as outras :)

Podes usar as seguintes tags:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Este blog aceita Gravatar. Arranja um aqui!.