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opinião, versão o nojo: carta a Fabíola Cardoso

Submitted by on Thursday, 23 January 2014One Comment

NOTA – Costumamos fazer uma seleção dos artigos, nomeadamente de opinião, que publicamos. Esta seleção é compreensível – seguimos naturalmente critérios de interesse para famílias arco-íris mas também de qualidade.

Este texto é uma exceção exatamente por tudo o que representa: a covardia, a cegueira, a maldade, a hipocrisia: o nojo.

Representa bem o pior que está contra nós – e o pior é tão fraco, tão vil, que quando o desespero leva a escrever – e a publicar! – vómitos destes, só pode lembrar-nos como estamos perto da igualdade e da justiça.

E aqui fica então o nojo:

imagesCo-adopção: resposta a Fabíola Cardoso

por José Maria Seabra Duque

Cara Fabíola,

Antes de mais deixe-me dizer-lhe o quanto lamento a sua doença. Não consigo imaginar a dor pela qual a Fabíola e a sua família passaram e provavelmente estão a passar e espero que consiga vencer esta dura batalha.

Para além disso quero desde já garantir que respeito totalmente as suas decisões sobre a sua vida privada. A maneira como a Fabíola vive e educa os seus filhos não me diz de todo respeito. Não tenho dúvida alguma de que a Fabíola faz o que na sua opinião é melhor para os seus filhos. E como mãe essa responsabilidade é sua e a maneira como a exerce não me diz respeito.

Contudo, com a carta que escreveu aos deputados, a Fabíola tornou a educação dos seus filhos num exemplo para pedir a aprovação do projecto sobre a co-adopção que está a ser discutido no Parlamento.

Ora a Fabíola tem todo o direito às suas convicções. Também tem o direito de educar os seus filhos de acordo com elas. Não pode é querer impor aquilo em que acredita ao resto do país.

Pode acreditar que as crianças não precisam de um pai e de uma mãe. Pode acreditar que é igual ter duas mães ou ter pai e mãe. Não pode é obrigar todos os portugueses a acreditar no mesmo. Como mãe tem o direito e o dever de educar os seus filhos da maneira que lhe parece melhor, não tem é o direito de educar os filhos dos outros.

Pai e mãe não são iguais, porque homem e mulher não são iguais. Têm os mesmos direitos e a mesma dignidade, mas são diferentes. E essa complementaridade é importante para a educação de uma criança.

Existem muitos casos onde não é possível a uma criança ter pai e mãe. E em muitos desses casos as pessoas responsáveis pela educação dessas crianças fazem um trabalho extraordinário que lhes permite ter uma vida absolutamente normal.

Contudo já basta quando são as próprias circunstâncias a ditar que uma criança não tenha pai ou não tenha mãe. Não é preciso que o Estado decida agora que algumas crianças podem ser obrigadas a não ter pai ou mãe caso um dos progenitores assim decida.

Acredite Fabíola que eu tenho o maior respeito por si, pelas suas decisões e pelas dificuldades com que lida. Contudo não me parece que essas dificuldades devam ter como resultado impor a todos os portugueses a sua ideologia.

Por isso a Fabíola vai ter de me desculpar. O seu desabafo é legítimo e o seu lamento compreensível, mas espero que o seu pedido não seja ouvido. Porque por muito respeito que tenha pela sua circunstância, nem a Fabíola, nem o Parlamento, nem o Estado têm legitimidade para retirar a uma criança o seu direito a um pai e uma mãe.

Com os desejos sinceros que tudo lhe corra bem,

Jurista

uma ideia »

  • Cristina Nunes acha:

    “(…)Não pode é obrigar todos os portugueses a acreditar no mesmo(…)” – “gosto” particularmente desta parte.

    Portanto, a Fabíola (leia-se todas as pessoas na mesma situação), não pode obrigar os portugueses a acreditar nas suas convições, mas os portugueses podem obrigar à Fabíola e à sua família a não usufruir de direitos familiares fundamentais, pois assim sim, a justiça é feita! Esta “auto-estrada” só tem um sentido – o da estupidez atroz.

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