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O “lobby” de Eanes

Submitted by on Friday, 31 May 2013No Comment

gay dumbledore beardUm dos episódios mais desconcertantes do meu percurso de cronista no DN ocorreu em 2006, quando escrevi um texto irónico no qual com exemplos, achava eu, irresistivelmente cómicos, “denunciava” a existência de um “lobby gay”. Recebi dezenas de e-mails congratulatórios, em que os signatários, em profusão de maiúsculas e pontos de exclamação, me certificavam ser “uma mulher corajosa” que “dizia a verdade com V grande”. Uma dessas comovidas missivas era assinada por um dos participantes do Prós & Contras da passada segunda-feira sobre coadoção (por acaso, não aquele que acusou o dito lobby de “estar por trás” do projeto de lei que no dia 17 de maio foi votado favoravelmente no Parlamento).

A ideia de que existe um maléfico grupo de gente homossexual apostado em tomar pela astúcia e, se necessário, pela força, a sociedade portuguesa em geral e as crianças em particular – e que, como tão bem apontou, com justa indignação, Miguel Vale de Almeida no programa, é decalcada da teoria da grande conspiração judaica que, mesmo após Auschwitz, ainda tem adeptos – não se atrapalha com ironias nem sequer com evidências ou factos. Que, por exemplo, o Instituto de Apoio à Criança, presidido por Manuela Eanes e com 30 anos de trabalho em prol da proteção da infância, tenha exarado um comunicado congratulando-se, em nome do superior interesse da criança e do seu direito a que lhe sejam reconhecidas pelo direito as relações afetivas relevantes, com a aprovação da coadoção em casais de pessoas do mesmo sexo é igual ao litro: decerto, pensarão os que como Marinho e Pinto atribuem a lei ao lobby gay, Eanes foi, quiçá por chantagem – ou, como ontem dizia o novo patriarca de Lisboa sobre os deputados que votaram a favor, “por desconhecimento do que está em causa” – levada a assinar tal tomada de posição. O mesmo se passará com todas as associações das especialidades de psicologia e psiquiatria nacionais e internacionais, e com o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que obrigou a Áustria, como obrigará Portugal se lá chegar um processo igual, a mudar, sem apelo, a lei que, como cá, apesar de permitir a adoção plena a pessoas individualmente consideradas, independentemente da sua orientação sexual e de virem a casar ou a viver em união de facto com alguém do mesmo sexo, impedia, em casais do mesmo sexo, a coadoção, ou seja, que o outro membro do casal adote também a criança.

Foi pena que Manuela Eanes não pudesse ter estado, por motivos de saúde, no Prós & Contras e que a vice-presidente do IAC, Dulce Rocha, ex-procuradora do Tribunal de Menores de Lisboa, tivesse também um impedimento: teria sido interessante ver se alguém se atreveria a dizer, na cara de qualquer das duas, que o que as move não é o interesse das crianças mas os do tal de lobby gay. Ou que são, já agora, um exemplo dos homossexuais “escondidos” que Marinho e Pinto acusa de, na política e nos media, “trabalhar para passar estas leis”.

in DN de 31 de maio de 2013, por Fernanda Câncio

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