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Isabel Moreira tem toda a razão

Submitted by on Thursday, 23 May 2013No Comment

comentadores jornalistasOra aqui está um título que nunca pensei vir a escrever. Mas os comentários completamente estapafúrdios que tenho lido a propósito da aprovação do projecto de lei sobre a co-adopção, oriundos na sua maioria do espaço ideológico que eu costumo frequentar, obrigam-me a unir o meu braço direito pouco tonificado ao braço esquerdo da deputada do PS, precisamente aquele em que está tatuada a data da aprovação do casamento gay em Portugal.

Talvez essa tatuagem perturbe os defensores da família tradicional, que olham para a co-adopção como uma espécie de cavalo de Tróia que irá escancarar as portas à adopção de crianças por casais homossexuais. Logo, vai de erguer paliçadas contra um projecto de lei que diz apenas isto: “Quando duas pessoas do mesmo sexo sejam casadas ou vivam em união de facto, exercendo uma delas responsabilidades parentais em relação a um menor, por via da filiação ou adopção, pode o cônjuge ou o unido de facto co-adoptar o referido menor.”

Como é explicado – e bem – no preâmbulo do projecto de lei, não se trata aqui de permitir a adopção de crianças por casais homossexuais, mas muito simplesmente de enfrentar de forma pragmática um problema real, que existe a partir do momento que se permite a adopção individual ou se aceita a existência de casais homossexuais com filhos: se o membro de um casal gaycom responsabilidade directa sobre uma criança desaparece, essa criança pode, em última análise, ser retirada do seu próprio lar, mesmo continuando a existir nele uma pessoa que em termos afectivos é sua mãe ou seu pai.

Em que medida é que alguém pode considerar isto errado? Não percebo. Mas de repente, eis que ouço Luís Villas-Boas, do Refúgio Aboim Ascensão, propor um referendo para que “dez milhões de portugueses digam o que acham de uma criança viver com duas pessoas do mesmo sexo”. Eis que vejo Marinho Pinto, bastonário dos advogados, muito zangado (como sempre) porque as crianças “têm direito a uma família onde possam desenvolver harmoniosamente a sua personalidade”. Eis que leio João Carlos Espada, neste jornal, defender que o mais prudente é “proteger a criança de uma solução [ser criada por um casal homossexual] cujos resultados não conhecemos”.

Luís, António, João, por todos os santinhos: vocês estão mesmo a defender que no caso hipotético de um casal de lésbicas que teve um filho por inseminação artificial, e em que a mãe natural da criança morre num acidente de automóvel, ela deve ser institucionalizada em vez de ficar com o outro membro do casal? É porque é isso – e só isso – que está em causa. Dir-me-ão: começa-se por aqui e daqui a nada está-se a discutir não a “co” mas a adopção propriamente dita. Admito que sim. E então? O miúdo do exemplo que acabei de dar que se lixe?

Obviamente que o Luís, o António e o João estão a discutir “os princípios”. Eu também gosto de discutir princípios, como gosto de famílias tradicionais. Mas só um pensamento totalitário admite o sacrifício de pessoas concretas em nome de princípios abstractos. Querer defender uma ideia de família ideal estando-se nas tintas para o sofrimento de crianças com um nome e com uma cara é uma enorme obscenidade, meus senhores. Ainda que muitas vezes a nossa esquerda padeça de excesso de entusiasmo progressista, a aprovação da co-adopção é um acto da mais elementar justiça.

in Público, 23 de maio de 2013, Por João Miguel Tavares, jornalista

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