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Comunicado – Ordem dos Psicólogos Portugueses

Submitted by on Thursday, 23 January 2014No Comment

logotipo_opp (1)“Factos sobre a seriedade da mulher de César”

Comunicado – Ordem dos Psicólogos Portugueses

23.Janeiro.2014

No passado dia 21 de Janeiro do presente ano, o Exmo. Sr. Dr. Abel Matos Santos, membro efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), escreveu um artigo de opinião no jornal i sobre a co-adopção, fazendo referência ao relatório apresentado pela OPP. De acordo com o Exmo. Sr. Dr. Abel Matos Santos, assume-se que o documento contém diversas afirmações imprecisas e algumas lacunas, terminando o referido artigo invocando a célebre frase sobre a idoneidade da mulher de César. Perante estas alegações, a Ordem é obrigada a esclarecer alguns pontos, não apenas aos seus membros, mas também à população portuguesa e ao autor do artigo de opinião.

 

1º Argumento

“(o relatório) inclui  autores com publicações menores, para ignorar por completo autores de referência mundial que publicaram nas melhores revistas internacionais”.

Facto

A Ordem dos Psicólogos Portugueses:

  • Trabalhou a partir de estudos publicados maioritariamente em revistas da área da Psicologia, consideradas de maior impacto e influência, pela exigência de rigor e pela metodologia de selecção dos estudos para publicação;
  • Não procurou fazer um retrato aprofundado e detalhado do tema, mas oferecer uma panorâmica geral do assunto, recorrendo às principais referências e conclusões empíricas disponíveis na literatura psicológica;
  • Reviu as principais evidências científicas e a posição das principais organizações profissionais e científicas que se debruçaram sobre este assunto, partilhando do entendimento destas organizações.
  • Discutiu as diferentes críticas e limitações metodológicas apontadas aos estudos no tópico “Os Estudos sobre Homoparentalidade estão Enviesados?” (p. 26).

 

2º Argumento

“apenas cerca de metade das referências (52,8%) fazem parte da lista apresentada de publicações revistas por pares com factor de impacto, o que é manifestamente pouco”.

 Facto

Aconselhamos a releitura do “Facto” anterior e a atenciosa análise do quadro que se segue e que apresenta o factor de impacto e posição no ranking de algumas referências utilizadas no documento.

 

Nome da Publicação Científica Factor de Impacto Posição no Ranking
Annual Review of Psychology 15 265 2/75 Psychology, Science; 2/126 Psychology, Multidisciplinary
Journal of Child Psychology and Psychiatry 5 422 2/65 Psychology, Developmental; 7/75 Psychology; 11/120 Psychiatry, Social Science; 15/135 Psychiatry
Pediatrics 5 119 1/107 Pediatrics
Developmental Psychopathology 4 397 5/67 Psychology, Developmental
Harvard Review of Psychiatry 3 046 21/120 Psychiatry
American Psychologist 6,869 4/125 Psychology, Multidisciplinary
Child Development 4,915 1/51 Psychology, Educational; 4/65 Psychology, Developmental
Human Reproduction 4,67 3/77 Obstetrics & Gynecology; 2/28 Reproductive Biology
American Sociological Review 4,422 2/138 Sociology
Current Directions in Psychological Science 3,929 12/125 Psychology, Multidisciplinary
Developmental Psychology 3,214 12/68 Psychology, Developmental
Journal of Marriage and the Family 3,006 1/38 Family Studies; 7/137 Sociology
Journal of Adolescent Health 2,966 11/21 Pediatrics; 14/65 Psychology, Developmental
Journal of Sex Research 2,532 2/89 Social Sciences, Interdisciplinary; 26/110 Psychology, Clinical
Sex Roles 1,801 1/38 Women Studies; 10/60 Social Psychology
Journal of Development & Behavioral Pediatrics 1,75 47/121 Pediatrics
Journal of Family Psychology 1,656 9/38 Family Studies
Family Process 1,609 13/38 Family Studies; 60/114 Psychology, Clinical
American Journal of Orthopsychiatry 1,6 67/120 Psychiatry/Social Science; 85/135 Psychiatry
Scandinavian Journal of Psychology 1,292 47/126 Multidisciplinary Psychology
Journal of Health Psychology 1,218 66/110 Psychology, Clinical
Parenting: Science and Practice 1,133 48/67 Psychology, Developmental; 18/38 Family Studies
Applied Developmental Science 0,8 54/66 Psychology, Developmental
Journal of Homosexuality 0,778 35/92 Interdisciplinary Social Sciences; 78/126 Multidisciplinary Psychology

 

3º Argumento

“como Mark Regnerus ou Lorens Marks, com dois importantes estudos: um mostrado claramente que as crianças criadas por pessoas do mesmo sexo têm resultados significativamente piores nas dimensões sociais, emocionais e relacionais, e o outro em que os estudos que defendiam não existirem diferenças eram constituídos por amostras muito reduzidas e não representativas com falhas metodológicas graves”.

Facto

Relativamente ao artigo de Mark Regnerus foi alvo de inúmeras críticas e contestações na comunidade científica, inclusivamente pela American Psychological Association. Neste contexto, refira-se que Gary Gates organizou uma carta, assinada por 200 investigadores, que levantaram um conjunto de preocupações e limitações sérias ao estudo. A própria revista que publicou o estudo de Regnerus, publicou posteriormente uma análise que coloca várias críticas ao estudo.

As críticas e limitações apontadas por Loren Marks são respondidas no Relatório produzido pela OPP no tópico “Os Estudos sobre Homoparentalidade estão Enviesados?” (p. 26).

 

4º Argumento

“parece terem-se esquecido do principal. É que o que este diploma da co-adopção implica, entre outras coisas, é a filiação forçada das crianças a ter dois pais ou duas mães, e isso não é referido de forma evidente, não se explicando se este facto que vai ser imposto às crianças é ou não prejudicial ao seu desenvolvimento, construção da identidade e da personalidade, e às suas relações sociais”.

Facto

O diploma aplica-se a uma situação que já existe e não a situações impostas ou forçadas às crianças.

As evidências científicas expostas são claras: viver, ser educado ou ter dois pais ou duas mães em nada prejudica a construção da identidade, da personalidade e das relações sociais das crianças.

 

Conclusão

A Ordem continuará a dar contributos públicos sustentados na evidência científica nos mais diversos assuntos de interesse público. É dever da OPP participar activamente nas questões da sociedade portuguesa, para as quais pode e deve contribuir com o conhecimento derivado da psicologia.

A Ordem dos Psicólogos Portugueses produziu um trabalho no maior respeito e rigor pela seriedade da questão levantada. Que os resultados possam não ser do agrado de algumas pessoas entendemos como  compreensível. Confundir isso com falta de seriedade é argumento que rejeitamos, porque preferiremos sempre ser do que parecer, conscientes que estamos de que o ser qualifica as nossas acções e o parecer é mera opinião externa. Não podemos deixar de lamentar todas as afirmações daqueles que, sem fundamento, se empenham em descredibilizar a mulher de César.

 

A Direcção da OPP

Lisboa, 23 de Janeiro de 2014. 

 

Clique aqui para aceder ao documento original

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