Famílias Arco-íris?

quem são as famílias arco-íris? Testemunhos e realidades.

o saber não ocupa lugar

estudos sobre parentalidades, nova investigação científica, posições oficiais de ordens profissionais, etc

Recursos

Dicas, ideias e conselhos para mães & pais, para aspirantes a mães & pais, e para outr@s educador@s

notícias

Novidades sobre a vida de famílias arco-íris, em Portugal e no mundo.

agenda

Atividades e encontros, dentro e fora de Portugal

Home » Recursos

Assumir-se pelos filhos: sim.

Submitted by on Wednesday, 18 July 2012No Comment

Artigo de Lucy Hallowell

Quantas vezes ouvimos dizer que ter um filho muda tudo? Pelos menos umas 53 mil vezes, certo? Tod@s dizem isso, desde pais e mães, familiares, vizinh@s, pessoas e anúncios na televisão e até professor@s de educação sexual. Quem já tem filh@s olha para ti e adivinham que se não a/o consegues entender é por ainda não seres pai ou mãe. Era detestável aquele olhar, e eu odiava ouvir isso até que fui mãe e percebi que estavam certos.

Jillian Michaels (famosa instrutora de ginástica nos EUA que fez vários programas de televisão e dvd de fitness) é uma das últimas de uma série de celebridades que se assumiram quando se tornou mãe. Em 2010 assumiu-se como bissexual numa entrevista dada no Ladies Home Journal e foi bastante reservada quanto à sua vida pessoal. Entretanto num artigo da revista People apresentou a sua companheira Heidi Rhoades e ao mesmo tempo os seu bebés, Lukensia que foi adotada no Haiti e Phoenix que nasceu a 3 de maio, dada à luz por Heidi.

mães

foto:. people

Jullian disse à People magazine que ter sido mãe a mudou completamente “em todos os sentidos possíveis”. A ideia de que ter um filho muda tudo na vida não é um novo conceito e nem a Jillian é a primeira mãe a falar do fenómeno, mas para pessoas LGBT, especialmente celebridades, ter um filho pode ter um efeito profundo relativamente a assumir-se pessoalmente e perante a família.

Outras pessoas famosas das quais havia rumores de serem gays como Clay Aiken e Ricky Martin esperaram até terem filhos para se assumirem. No caso de Wanda Sykes, em Novembro de 2008 assumiu-se como lésbica casada e em abril a mulher dela deu à luz gémeos. Eu não sou um génio mas pelas minha contas, Wanda assumiu-se quando a esposa já ia a meio da gravidez. É possível que para estas celebridades assumir-se não tenha tido nada a ver com a parentalidade mas a coincidência de se assumirem e terem filh@s sugere intencionalidade. Eu não posso dizer porque as celebridades optaram por assumir-se quando tiveram filh@s mas baseado nas minhas experiências posso imaginar os motivos.

Nós todos temos coisas que não fazemos por nós, por exemplo ir com a devida regularidade ao médico/dentista ou fazer a revisão do carro. Sabemos que isso é má ideia mas pensamos que só nos faz mal a nós por isso deixamos andar. Quando adicionamos um filho à nossa família imediatamente temos alguém pela qual fazíamos tudo. Talvez pela primeira vez as questões relacionadas com a vida pessoal sejam algumas das que queremos ver respondidas.

Não há nada mais irritante que pais e mães orgulhos@s das suas crianças. Nós não nos calamos acerca dos nossos filh@s e falamos de tudo o que fazem, independentemente do quanto isto possa ser aborrecido por quem nos rodeia. Contudo se a pessoa não se assumiu não pode falar acerca da própria família, ou seja há áreas limitadas, e tem de escolher ou jogar com as palavras de forma a evitar dizer se tem uma mulher/parceira ou parceiro/marido como @s outr@s esperam. Até ter ficado grávida do nosso primeiro filho eu fazia isso pois era uma chatice – e será que a vendedora da loja precisa de saber que sou lésbica? Provavelmente não. Se ela assume que eu estou a comprar algo para o meu marido eu posso optar por não a corrigir pois por vezes assumir-se é uma tarefa imensa especialmente quando se tem pressa, não se tem paciência ou qualquer que seja a razão em que se pensa enquanto se acena, sorri, paga e sai dali a odiar-se por não ter corrigido a pessoa. Pessoalmente eu ia para casa e pedia desculpa à minha mulher por permitir que aquela pessoa assumisse que ela não existia.

Isto parou quando dei à luz o nosso primeiro filho. Quando as enfermeiras me entregaram aquele bebé cor de rosa pela primeira vez foi a sensação mais avassaladora que senti. Grande parte era um cocktail de exaustão, epidural e as hormonas que nos fazem sentir como loucas, mais emoção e menos razão. O que quer que fosse eu senti uma urgência imparável em proteger aquele pequeno ser que gritava, que era enrugado, uma massa de pernas e braços . Até se considera mutilar aqueles que aparecem e nem tratam o nosso bebé com a atenção e gentileza necessária. Esta semana tive de acalmar essa faceta em mim quando um bebé, talvez com menos de dois anos, empurrou a minha bebé que mal anda, de tal forma que ela quase rachava o a testa. Senti que esse pequeno holigan devia estar preso por isso.

A minha mulher e eu sabemos que devíamos ser mais corajosas e menos preguiçosas, a fim de proteger nossos filhos e para dar um exemplo de como navegar em um mundo que nem sempre entende ou aceita a nossa família. As crianças são inteligentes e muito percetivas. Eles percebem tudo o que nós fazemos e percebem sinais de que estamos a encobrir algo. Eles saberão se você parece desconfortável falar sobre ser gay e que irão receber a mensagem de que talvez haja algo de vergonhoso nas mães/pais ou do seu tipo de família. Sim, há pessoas no mundo que pensam que as nossas famílias estão erradas, e é verdadeiramente desolador pensar que nossos filhos terão de enfrentar isso um dia, mas nós não vamos permitir que eles obtenham essa mensagem de nós. Então, nós abraçamos os momentos difíceis, vamos corrigir alguns estranhos, enfrentamos o tempo todo e não nos desculpamos por ser uma família de duas mães .

Realmente ter um bebé muda tudo. Qualquer sensação de que estar sem se assumir, até mesmo que por um minuto, vale a pena evitar o aborrecimento de explicar sua vida a perfeitos estranhos desaparece porque a criança sentado no carrinho de compras está olhando para ti e ela irá perguntar-lhe um dia por que você deixa que o homem na loja dizer que ela tinha um pai. Ela vai querer saber por que não lhe disse que ela tem duas mães. Ela vai olhar para si com aqueles olhos grandes e você não terá uma resposta para ela. Esses são os momentos excruciantes que podemos evitar. Haverá dezenas de vezes em que você vai dececionar o seu filho e a si mesm@, haverá dezenas de falhas parentais apenas nesta semana. Mas quando optar por se assumir sempre sabe que não vai dececioná-la dessa forma. Talvez não o fizesse por si ou pela sua mulher/pelo seu marido ou parceir@, mas por aquela criança, por quem daria a sua vida, de repente, assumir-se perante tod@s não parece nada.

Artigo de Lucy Hallowell, postado em afterellen.com
(traduzido e adaptado por uma voluntária. Caso queira colaborar connosco contacte-nos)

Partilha as tuas impressões!

Escreve o teu comentário. Podes fazer trackback do teu site ou subscrever atualizações dos comentários subscribe to these comments via RSS.

Partilha todas as boas ideias. E enterra as outras :)

Podes usar as seguintes tags:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Este blog aceita Gravatar. Arranja um aqui!.