Famílias Arco-íris?

quem são as famílias arco-íris? Testemunhos e realidades.

o saber não ocupa lugar

estudos sobre parentalidades, nova investigação científica, posições oficiais de ordens profissionais, etc

Recursos

Dicas, ideias e conselhos para mães & pais, para aspirantes a mães & pais, e para outr@s educador@s

notícias

Novidades sobre a vida de famílias arco-íris, em Portugal e no mundo.

agenda

Atividades e encontros, dentro e fora de Portugal

Home » notícias

A força do ódio mobiliza em França

Submitted by on Tuesday, 15 January 2013No Comment

Lê-se no Público do passado dia 13 de janeiro de 2013:

Dezenas de milhares de pessoas marcharam este domingo à tarde por Paris contra o projecto do Presidente francês para legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo e permitir-lhes a adopção de crianças.

Com o apoio explícito da Igreja Católica e da direita, a “manifestação para todos” — slogan que responde à promessa de “casamento para todos” feita por François Hollande —, quis mostrar ao Eliseu a oposição que há na sociedade ao diploma. O Governo reagiu, reafirmando que a lei será alterada.

Ao final da tarde, quando os três cortejos que partiram de diferentes pontos da capital desaguaram no Campo de Marte, os organizadores anunciavam a participação de 800 mil pessoas. A polícia apontava para 340 mil, ainda assim três vezes mais do que no primeiro protesto, em Novembro, contra a anunciada alteração ao Código Civil.

A capacidade de mobilização foi a grande aposta dos organizadores que não escondiam a pretensão de equiparar o protesto ao que em 1984 juntou nas ruas de Paris mais de um milhão de pessoas em defesa do ensino privado, forçando o então Presidente François Mitterrand a desistir de um projecto para unificar o ensino.

“François Hollande tem de escutar a rua, senão temos um grave problema de democracia”, disse ao Le Monde Thibaud Louvel, um estudante de 18 anos que saiu à rua em defesa da “instituição do casamento”, mas também para contestar os planos – já adiados pelo Governo – de alargar a procriação medicamente assistida aos casais homossexuais.

Na tribuna montado aos pés da Torre Eiffel, Frigide Barjot, nome de palco da humorista católica que se tornou o rosto da contestação, reclamava o sucesso da iniciativa, dizendo que os milhares que saíram à rua provaram que “não é apenas a direita reaccionária e os católicos contra os outros”. O movimento que lidera fez questão de afirmar o protesto como apartidário, interconfessional e anti-homofóbico: as siglas políticas e os símbolos religiosos foram desaconselhados e homossexuais que se opõem à legalização do casamento gay foram chamados a intervir.

Mas por trás da máquina que levou milhares a Paris (foram fretados cinco comboios e 900 autocarros) estiveram organizações próximas da Igreja Católica e Jean-François Copé, o líder da oposição de direita, encabeçou uma das marchas. O arcebispo de Paris, André Vingt-Trois, foi ter com os manifestantes para os “encorajar”. E na cauda da maior manifestação seguiu um cortejo mais pequeno onde desfilaram católicos integristas e nacionalistas.

O Governo apressou-se a desvalorizar o primeira grande protesto contra Hollande e o primeiro-secretário dos socialistas, Harlem Désir, disse que o partido “irá até ao fim com a grande reforma de progresso que os franceses desejam”. As últimas sondagens mostram que 56% dos franceses apoiam a legalização do casamento gay, menos 10 pontos percentuais desde que a direita começou a mobilizar-se.

Hollande e o Governo têm-se mantido firmes na intenção de avançar com estas medidas de igualdade, pelo que quem advoga a discriminação perderá – esperamos que rapidamente! –  em França, como perdeu em Portugal e em vários outros países, e continuará a perder. A igualdade é o melhor caminho, o único que repõe a justiça e a dignidade – e felizmente, são cada vez mais as pessoas que não têm dúvidas sobre isto.

Mas não deixa de ser sempre surpreendente, no pior sentido, que milhares de pessoas se mobilizem com o único intuito de privar outras pessoas dos direitos que elas próprias, e as suas famílias,  já gozam.
E nem entremos no gasto que significa fretar 900 autocarros e toda esta logística, nem do destino que uma instituição verdadeiramente solidária poderia dar a este dinheiro.
Nem da união de várias religiões contra um grupo de pessoas que se bate por dignidade e igualdade perante a Lei.

Vai valendo o ativismo LGBT francês e europeu (por exemplo a NELFA foi ouvida pelo Parlamento francês, tal como Miguel Vale de Almeida e outras pessoas ligadas à igualdade noutros países europeus); e a dedicação de algumas das caras da lçuta pela medidas de igualdade em França, como o Ministro da Educação ou a deputada  Christiane Taubira, entre tantas outras pessoas.

Força, França.

 

Partilha as tuas impressões!

Escreve o teu comentário. Podes fazer trackback do teu site ou subscrever atualizações dos comentários subscribe to these comments via RSS.

Partilha todas as boas ideias. E enterra as outras :)

Podes usar as seguintes tags:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Este blog aceita Gravatar. Arranja um aqui!.