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Amor em dobro

Submitted by on Saturday, 12 November 2011No Comment

Raquel e Valeska resolveram investir em um sonho antigo: Serem mães. A pequena menina que elas esperam cresce na barriga da Raquel, mas as duas estão gravidíssimas. Isso, porque as duas serão as mães da criança. “Sempre foi um sonho isolado de cada uma, até que no dia que nos encontramos e começamos a nos relacionar, esse foi o assunto da primeira conversa séria que tivemos”, conta Raquel. Elas pensaram em várias possibilidades, desde a adoção até mesmo a concepção tradicional. Optaram pela inseminação artificial. E agora faltam 3 meses para o pequeno sonho se transformar em algo real. Na verdade, já se transformou: A vida do casal já não é mais a mesma.

“Mudanças são inevitáveis. Desde o dia em que decidimos engravidar tudo já mudou: as saídas, as festas até altas madrugadas, algumas coisas da rotina, afinal agora temos um bebê e teremos muita responsabilidade”, contam.

A família não foi um problema para essas duas, que resolveram encarar a sociedade e já entraram com o pedido de dupla maternidade. “Quando decidi falei com minha mãe e meus irmãos. Todos apoiaram. Fiquei preocupada com a minha avó, que tem 91 anos, afinal ela teria todo o direito de não entender, mas para minha grande surpresa, ela é a mais animada de todos, e ainda brincou dizendo que eu não tinha que me preocupar com o que as pessoas iriam dizer quando a barriga da Raquel começasse a crescer. Disse que mesmo se alguém falasse algo, a família sabia bem como a criança havia sido concebida. Todas as vezes que vou à casa dela, me pergunta: ‘Cadê o meu bisneto?’”, diz Valeska, emocionada.

Histórias como a de Valeska e Raquel são mais comuns que muitos imaginam. Embora no Brasil haja uma discussão política sobre a constituição da família, a formada por homossexuais, as chamadas famílias arco-íris, já é uma realidade.

Um projeto chamado Pequena Sementeira une mães e pais homossexuais para discussão, apoio e disseminação da informação, seja ela jurídica ou psicológica.

A iniciativa surgiu em dezembro de 2008, quando o casal Carina e Jéssica Ramires, ativistas LGBT e mães de Pietra e Allana, descobriram uma lacuna neste segmento. “A escassez de material de pesquisa acerca da criação de filhos por famílias LGBT traz a necessidade de convivência entre pessoas que vivem esse mesmo contexto. Por isso, o Projeto Pequena Sementeira vem reunir essas famílias a fim de gerar informação através da troca de experiências entre os participantes”, explicam.

No grupo eles debatem e se ajudam sobre problemas, que, infelizmente, ainda são comuns entre essas, consideradas, “novas famílias”. Como lidar com a escola, que ainda têm preconceito, dia dos pais, dia das mães, e também com a própria lei, que não oferece os direitos do casamento e a facilidade do registro das crianças em nome de duas pessoas do mesmo sexo?

No Brasil, casos de adoção já foram bem sucedidos e a conquista da União Homoafetiva também ajuda na questão do reconhecimento da família homossexual como entidade familiar, no entanto ainda não é fácil. Em 2009 a justiça brasileira permitiu que duas mulheres registrassem os trigêmeos concebidos pelo casal por inseminação artificial, no Sul do País. Mas a luta na justiça é desgastante e, muitas vezes, demorada e cara.

Situação em Portugal

A ILGA (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgênero) de Portugal denuncia a situação da família arco-íris no país. “A Lei da Procriação Medicamente Assistida exclui explicitamente mulheres solteiras ou mulheres em relação com outra mulher de aceder a esta forma de maternidade, o que é obviamente inaceitável”, conta a coordenadora do Grupo Família Arco-Íris, do ILGA – Portugal, Isabel Fiadeiro.

Em Portugal duas pessoas do mesmo sexo não podem registar qualquer criança. “Nós não temos uma tradição judicial tão forte como no Brasil. A nossa prioridade na mudança das leis é a da via legislativa, que consideramos obviamente mais forte, mais impositiva e mais alargada. No entanto, dadas as dificuldades com que as famílias arco-íris se deparam no dia a dia, é bem possível que, em breve, alguém avance para uma batalha judicial. O resultado será uma incógnita”, completa Isabel.

O casal descrito no início da matéria deixa um pensamento sobre essa, que ainda é triste, realidade das famílias homossexuais de grande parte do mundo: “Esperamos sinceramente que as pessoas que acham que duas pessoas do mesmo sexo não podem criar uma família e não podem fazer uma criança feliz, tentem olhar por outro prisma, aceitar que família pode ser sim composta por pessoas do mesmo sexo e que nossos filhos (as) vão ser amados, educados, instruídos, respeitados como todo e qualquer filho de casais héteros. O dia em que as pessoas entenderem e aprenderem a respeitar o ser humano como a si mesmo, a vida irá fluir com mais naturalidade”, concluem.

Artigo do LesMonde, Novembro 2011

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